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Meus locais para correr em Salvador

Listo aqui alguns dos meus lugares preferidos para correr em Salvador


Dique do Tororó

O Dique é um dos pontos turísticos de Salvador, e também um bom lugar para treinos. Possui calçamento apropriado, como marcações de distância. O circuito em torno da lagoa possui 2,6 Km. Bicicletas e cachorros são proibidos, mas o aumento do fluxo de pessoas nos finais de semana podem atrapalhar a corrida.

Guarajuba, Guaramoto

Quadriciclos na praia de Guarajuba
O carnaval 2012 em Guarajuba pode ser descrito como o a festa dos quadriciclos, e das motos. Febre dentro dos condomínios, onde adultos e adolescentes circulam ininterruptamente, os veículos invadem também as maravilhosas praias do local, para desespero de banhistas e das pobres tartarugas marinhas.

Patrimônio Histórico e Publicidade

Painel em Milão. Exemplo do que não fazer?

A publicidade em edifícios históricos é um tema constante nas cidades, propiciando discussões em diversos níveis.

A preocupação é antiga. Em 1931, a Carta de Atenas, fruto da Conferencia Internacional da Sociedade das Nações, propõe condutas em relação à preservação e conservação de edificações, evidenciando o cuidado com a publicidade e a valorização de monumentos. 
“Recomenda-se, sobretudo, a supressão de toda publicidade, de toda presença abusiva de postes ou fios telegráficos, de toda indústria ruidosa, mesmo de altas chaminés, na vizinhança ou na proximidade dos monumentos de arte ou de história.” (Carta de Atenas, 1931)
A Carta de Atenas é tida como o primeiro documento de importância internacional a abordar a preservação do patrimônio histórico. Suas recomendações influenciaram as normas e condutas seguintes que acabaram, aos poucos, sendo incorporadas nas legislações nacionais. 

Um exemplo mais recente no Brasil foi a acertada lei proibindo a colocação de outdoors e regulamentando as placas em estabelecimentos comerciais na cidade de São Paulo, fazendo ressurgir a bela arquitetura da capital paulistana. A Lei Municipal nº 14.223 de 2006 garante assim a valorização do ambiente natural e construído e a preservação da memória cultural. 

O mesmo cuidado deve ser tomado com intervenções publicitárias com supostos objetivos artísticos, como no caso do painel encontrado no centro de Milão. O exemplo talvez crie uma atmosfera lúdica durante a noite, mas durante o dia torna-se uma agressão visual, pelo contraste do painel escuro defronte a monumentos históricos italianos.

A paisagem urbana está sempre em transformação, assim como a sociedade. Mas a harmonia estética da arquitetura com seu entorno produz cidades mais belas e agradáveis.


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Existe ônibus no Brasil?

Comparado com os ônibus vistos em outros países, os veículos utilizados no Brasil estão longe do mínimo necessário para transportar pessoas com segurança.

Ônibus italiano com portas larga e piso plano e o bilhete de transporte integrado.
Na Itália, assim como em muitas cidades da Europa, o ônibus urbano tem piso plano, sem a necessidade de escadas de acesso. Os veículos param próximo ao nível da calçada e alguns abaixam um pouco para facilitar a entrada e saída de pessoas. As portas são amplas e não existem catracas facilitando o acesso rápido e seguro do usuário. Não existem cobrador, nem dinheiro dentro do ônibus. A passagem é paga através de bilhetes comprados em diversos pontos da cidade, que permitem a integração com vários ônibus e outros meio de transporte, por um determinado período de tempo, 60 ou 90 minutos, suficientes para ir de um lado ao outro da cidade. O controle do uso de bilhetes é feito por máquinas que carimbam a hora de uso e de fiscalização dentro dos ônibus. 

No Brasil, a maioria dos ônibus urbanos tem piso elevado, pois foram fabricados sobre uma plataforma semelhante à de caminhão. O acesso, é feito por vários degraus. A porta é estreita e controlada por catraca e cobrador. O embarque de passageiros é lento e perigoso, e frequentemente pessoas sofrem acidentes ao entrar ou sair, muitas vezes com o veículo em movimento. O uso de dinheiro dentro dos ônibus atrai assaltos. A integração é pouca, e a utilização de bilhetes eletrônicos gera enormes filas de para recargas, no caso de Salvador.
        Com todas essas diferenças fica a dúvida: Existe ônibus no Brasil?



Plataforma de um ônibus utilizado no Brasil. Quase um caminhão.
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Mc Milano


Uma das melhores maneiras de conhecer um lugar é aproveitar a sua culinária. Aprende-se muito sobre a cultura de um povo, tanto pelo o que ele come e também o que se bebe.

Infelizmente, em muitas cidades da Itália, assimilar a cultura através do paladar é uma tarefa bem difícil, e cara! Veja o exemplo em Milão.

Após conhecer a maravilhosa arquitetura do centro, seu famoso Doumo e a Galleria Vittorio Emanuele, fui em busca de uma autêntica pizzaria, indicação de uns amigos italianos. Conhecida na cidade por preparar um tipo de pizza frita, chamadas de panzerotti, o lugar me pareceu ideal para algo saboroso e diferente, mas para minha surpresa, encontrava-se fechado.

Chiuso per ferie! Fechado, porque não? Afinal era agosto, mês de férias de verão. Se o lugar for tradicional e italiano, fecha mesmo. Porque uma pizzaria teria que ficar aberta? A solução foi andar pelo centro e procurar outra opção.

Andando pelo centro vemos diversas pizzaria, com cardápio em 7 línguas, e coperto entre $2,50 a $4,00 euros por pessoa. Típicas armadilhas para turistas. Até a pizza al taglio (fatia), em uma rede fast food italiana, sai caro. Mesmo um panini simples, pão e salame, tem preço absurdo. A opção para viagem, portare via, pode sair um pouco mais barato, mas é bem difícil encontrar onde sentar.

Neste cenário perigoso, surgem algumas alternativas anti-italianas, que na verdade acabam repletas de turistas. Entre elas o MC Donalds. Pelo mesmo valor de um panini seco sentado na calçada, os turistas encontram na lanchonete do Ronald: banheiros, mesas, cadeiras e ar-condicionado. Tudo isso sem custo adicional, coperto ou taxa extra. Além disso, oferece um cardápio conhecido a um preço pré-determinado, rápido e sem surpresas, conveniente aos que tem pressa e muito que olhar. Durante uma viagem, estes itens fazem muita falta, principalmente se você está andando o dia todo.

O que seria inexplicável acaba fazendo sentido. O centro de Milão possui vários MC Donalds, um na Galleria Vittorio Emanuele, e um em frente ao Doumo. Próximo a estação de trem encontramos mais dois, também freqüentados pelos italianos do centro.

Por isso no aperto, não tive dúvidas, nem remorso. Matei minha fome na rede americana, e depois, à noite, encontrei um lugar que realmente valesse uns trocados. Esta estratégia tornou-se bem interessante em minhas viagens de lazer. Um lanche rápido no almoço, preferencialmente algo típico do local e um jantar mais autêntico, se possível.

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Rodízio de Carros em Salvador


Com a atual situação caótica do Trânsito de Salvador, o rodízio de veículos parece ser a única solução para evitar que o trânsito pare de vez. Contudo, ao comparar o tamanho da frota em relação a outras cidades que adotam a restrição, esta solução atesta a falta de planejamento e investimentos concretos no sistema de transportes urbano. 


São Paulo é um conhecido exemplo brasileiro da prática de rodízio veículos. Adotado desde 1997, o chamado Rodízio Municipal é aplicado de segunda a sexta feira, das 7 às 10 horas e das 17 às 20 horas, impedindo a circulação de veículos conforme o número da placa e o dia da semana. 

Em Salvador, apesar de possuir uma frota 9 nove vezes menor, a idéia tem sido discutida por alguns políticos. Desconsidera-se o fato de Salvador não possuir alternativas de transportes públicos. Não possui metrô, os trens urbanos atende precariamente parte do subúrbio, as ciclovias são apenas para lazer, e os ônibus não dispõem de pistas exclusivas, salvos por alguns acessos.

SALVADOR
SÃO PAULO
POPULAÇÃO
3.574.804
11.316.149
Frota de veículos
756.040
7.136.844
METRO (Km)
-
74,3
TREM (Km)
13,5
260,8
Fonte: IBGE (população), DETRAN BA e SP (veículos), METRO-SP, CPTM-SP e CBTU (trens). Out 2011.

Observando a tabela acima, verifica-se ainda que a população de São Paulo é três vezes maior que a de Salvador. A metrópole paulista dispõe de um razoável sistema de transportes urbanos: 74 km de linhas de Metrô, e 260 Km de trens, ônibus, e ciclovias.  O rodízio, aparente inevitável, mostrou-se ineficiente devido ao crescimento contínuo de sua frota.

O Rodízio de veículos é uma solução fácil, mas paliativa. Basta apenas um decreto, ao invés de planejamento, projeto e investimentos concretos. Salvador necessita de um sistema de transportes que atenda sua população e não o interesse empresarial. Ônibus precisam de pistas exclusivas e bilhetes integrados. A população demanda transportes rápidos, eficientes e de alta capacidade, como o Metrô e  o VLT. Bicicleta é um meio de transportes viável, que precisa de atenção e de ciclovias.

Somente através de um sistema de transporte integrado e eficiente, as pessoas poderão abrir mão dos carros e utilizar outras formas de locomoção.


*O Autor é Arquiteto, Urbanista, Especialista em Gestão de Infra-estrutura de Transportes. Conhece na prática sistemas de transportes em diversas cidades do mundo.


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