Estive em uma viagem rápida na capital paraibana, com apenas um dia destinado a um congresso de arquitetura. Como o voo matinal para João Pessoa chegou muito cedo para o evento, decidi que seria uma boa oportunidade de fazer um pequeno passeio a pé pelo centro da cidade e conhecer suas principais edificações históricas.
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Ruínas da Bahia - Capela de São Braz
Texto: Humberto Diniz
A Capela de São Braz, pertencente ao povoado de mesmo nome, é um exemplo de patrimônio histórico destruído por falta de manutenção. O povoado de São Braz pertence ao município de Santo Amaro, e está localizada próxima a estrada de acesso ao distrito de Acupe, na BA 878.
A capela data do final do século XVII. Originalmente com 270m², a edificação encontra-se atualmente desocupada e em ruínas. Situada no topo de uma colina, no ponto mais alto do povoado, seu entorno atualmente é utilizado como cemitério local.
Forte de São Marcelo - Salvador
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| Salvador vista do Forte de São Marcelo |
O Forte de São Marcelo, ou Forte do Mar, é um dos cartões postais mais conhecidos de Salvador. Erguido sobre o mar sobre um pequeno banco de arrecifes próximo a costa, a fortificação destaca-se pela sua forma circular, cercado pelo mar.
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| Entrada do Forte São Marcelo e parede circular erguida sobre o mar |
O forte, que teve sua construção iniciada no século XVII, para defesa da cidade contra invasões holandesas, é tombado como patrimônio histórico desde 1938, pelo SPHAN (atual IPHAN).
Patrimônio Histórico e Publicidade
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| Painel em Milão. Exemplo do que não fazer? |
A publicidade em edifícios históricos é um tema constante nas cidades, propiciando discussões em diversos níveis.
A preocupação é antiga. Em 1931, a Carta de Atenas, fruto da Conferencia Internacional da Sociedade das Nações, propõe condutas em relação à preservação e conservação de edificações, evidenciando o cuidado com a publicidade e a valorização de monumentos.
“Recomenda-se, sobretudo, a supressão de toda publicidade, de toda presença abusiva de postes ou fios telegráficos, de toda indústria ruidosa, mesmo de altas chaminés, na vizinhança ou na proximidade dos monumentos de arte ou de história.” (Carta de Atenas, 1931)
A Carta de Atenas é tida como o primeiro documento de importância internacional a abordar a preservação do patrimônio histórico. Suas recomendações influenciaram as normas e condutas seguintes que acabaram, aos poucos, sendo incorporadas nas legislações nacionais.
Um exemplo mais recente no Brasil foi a acertada lei proibindo a colocação de outdoors e regulamentando as placas em estabelecimentos comerciais na cidade de São Paulo, fazendo ressurgir a bela arquitetura da capital paulistana. A Lei Municipal nº 14.223 de 2006 garante assim a valorização do ambiente natural e construído e a preservação da memória cultural.
O mesmo cuidado deve ser tomado com intervenções publicitárias com supostos objetivos artísticos, como no caso do painel encontrado no centro de Milão. O exemplo talvez crie uma atmosfera lúdica durante a noite, mas durante o dia torna-se uma agressão visual, pelo contraste do painel escuro defronte a monumentos históricos italianos.
A paisagem urbana está sempre em transformação, assim como a sociedade. Mas a harmonia estética da arquitetura com seu entorno produz cidades mais belas e agradáveis.
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Castelo Garcia D’Ávila
O Castelo da Torre de Garcia D'Avila localiza-se no acesso à Praia do Forte, município de Mata de São João, a 80 km de Salvador, Bahia. Restaurando em 2002, o monumento histórico é mantido por uma fundação, voltada para o desenvolvimento sustentado e para a qualidade de vida da região.
O Castelo da Torre é considerado a primeira grande edificação portuguesa construída no Brasil, foi erguida a partir de 1551 por Garcia de Souza D’Ávila, filho de Tomé de Souza, primeiro governador geral do Brasil. Foi sede de um dos maiores latifúndios do mundo, a capitania da Bahia. O conjunto residencial-militar é formado pelas ruínas do Castelo, com sua Torre e seus anexos. Na cúpula da capela restaurada foi encontrada a pintura original, que foi recomposta.
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